quarta-feira, 18 de abril de 2007

Essa é do baú...da felicidade?

Abriu os olhos às três e quarenta e oito da manhã sentindo um frio penetrante. Lembrou-se instantaneamente das horas e horas de sol na praia de Copacabana no dia anterior. Atordoado pelo sono, cambaleou até a janela para fechá-la e deparou-se com uma das cenas mais estranhas de sua vida: o Rio de Janeiro estava congelado.

Seu apartamento com vista para o mar parecia estar de frente para a Antártida. O mar, antes azul como nenhum outro,agora era de um branco glacial e se unia ao céu que desabava em neve. Nessa paisagem gelada,nada se mexia.

Começou a sobrepor as roupas mais pesadas que pôde encontrar em seu armário, lamentando não ter comprado um casaco mais quente na sua última viagem ao Canadá.Quando estava chamando o elevador, a luz acabou.Começou a descer os dezoitos andares de seu prédio no escuro total.

Chegando ao térreo, conseguiu enxergar um vulto de pé na porta aberta do prédio que presumiu ser seu Zé,o porteiro. Quando se aproximou, percebeu, aterrorizado, que o homem estava congelado. A cena de horror se repetiu numa paisagem totalmente branca, podia ver pessoas congeladas por todo lado.

Ao longe, conseguiu ver algumas pessoas que,como ele, andavam perplexos pela rua.Ninguém sabia o que se passava.Seriam os efeitos do aquecimento global? O fim do mundo? A queda de um meteoro? Começou a rezar por sua vida e pensou na família e nos amigos.Como estariam?

Resolveu subir até o Cristo Redentor de onde teria uma visão maior da cidade. Enquanto subia os degraus, sentia as extremidades adormecerem devido ao frio. O que viu,quando chegou ao topo,deixou-o aterrorizado: o Cristo Redentor, que antes saudava a cidade de braços abertos,tentava se aquecer com os braços cruzados. No céu,nuvens se abriram e milhares de luzes apareceram. Um zumbido terrível parecia que iria estourar seus tímpanos,as luzes tornaram-se ainda mais intensas e pareciam queimar-lhe os olhos. Um vento ainda mais gelado cortou-lhe os lábios.Tentou correr, gritar, mas percebeu que seu corpo estava totalmente congelado.

As luzes diminuíram de intensidade e se aproximaram ainda mais.Atrás delas,uma porta se abriu e um ser alienígena caminhou até ele e quando abriu sua boca, a voz era idêntica a de Silvio Santos. O rádio anunciava ‘Bom dia, são dez horas’.

No sobressalto, acordou nu, com o ar condicionado ligado e o despertador tocando.



Arthur D.
Fernando V
Matheus G.
8ªA

IPod, ele também pode

Fnac do Shopping Morumbi, um apagão inesperado sobracarregou o gerador, a luz não volta.Onze da noite! Três horas sem luz.
As portas elétricas por motivos óbvios, não abriam. O Shopping era uma prisão, as únicas luzes eram iPod’s e celulares. Eu estava obcecado, queria luz, por isso tirei R$2200,00 e comprei um iPod com a maior tela, iPod vídeo! Embora o pequeno aparelho estivesse perfeito, a luz iluminava mal...
Estava nervoso, percebi que havia mais pessoas comigo, comecei a conversar.
O papo estava tão bom que resolvemos comer; comi pães de queijo (frios) com um suco de maracujá, o que me acalmou um pouco.
Passadas duas horas, dez homens de preto com capuz arrombaram a porta elétrica, estavam armados, mandaram todos deitarem no chão em um canto da loja. Logo percebi que não era um apagão, era mais um assalto ao Shopping. Permaneci perplexo e sem ação em relação ao que presenciava.
Um dos ladrões “tomou conta” de todos, os outros três abriram sacos e começaram a roubar aparelhos elétricos, livros, o caixa de dinheiro, CDs e DVDs. Foi um desastre.
Nessa hora, percebemos que nossas vidas passam diante de nossos olhos como um filme. Levei minhas mãos trêmulas ao rosto e senti aquele desejo de estar em casa com minha mulher e filhos.
Enquanto nós ficávamos pensando e refletindo sobre nossas vidas, os homens mascarados faziam a limpa.
Duas horas depois, percebi que os homens não estavam felizes e mesmo após a limpa, ainda tinham desejo de sangue. Um segurança iniciou uma investida contra o homem encarregado de fazer os reféns.
Tirei o celular do bolso e disquei para a polícia.
Passadas três horas, os homens ainda estavam na loja. Ouviam-se sirenes da polícia, percebi que os ladrões estavam cercados. Ficaram discutindo entre si, a situação ainda estava nas mãos dos marginais.
O clima estava tenso, com certeza, haveria um grande tiroteio entre policiais e ladrões. O que eu imaginava, agora se tornava realidade.Polícia e marginais iniciavam um combate digno de um filme de ficção.
Com a noite tão escura e sombria, era quase impossível distinguir policiais e ladrões.
Resolvi arrombar a porta de onde estávamos. Subitamente ouvi barulhos estranhos, havia alguém lá dentro, quando de repente percebi que uma arma estava apontada na direção de minha cabeça. Ofereci ao ladrão meu iPod para que ele me deixasse vivo, nenhum ladrão iria querer um iPod com pouca bateria.
Havia somente dois minutos de bateria e eu era consciente disto, mas não sabia o que poderia acontecer com a luz quando a bateria acabasse.
Quando de repente, a bateria acabou, eu estava entregando o iPod para o ladrão: os ladrões morreram, as plantas morreram, meu personagem morreu, os animais morreram.
GAME OVER!
Minha mãe me chamou para jantar e dormir, boa noite.


Ivan, João Paulo e Bruno - 8ª B

terça-feira, 17 de abril de 2007

A pílula


Morreu. O homem que sempre usara terno laranja para ir trabalhar, jazia agora deitado em seu caixão .
Já não queria saber, movia sua vida à base do suspense do poder da pílula. Sua vida não tinha sentido, não tinha mais como movê-la. Fechou os olhos. Estava cansado de tanto mistério. Destacou-a do pacote. Diferente das normais, possuía um brilho radiante que iluminava sua vida sombria. Olhou-a cautelosamente. Por que não? Será que era esse o momento certo?
Acordou. Não se sentia bem. Conferiu a pílula em seu bolso. Estava lá. A mesma pílula que já guardava há doze anos para o momento exato, e o mesmo terno laranja que vestira em seu casamento e ia ao trabalho todo dia. Sempre apaixonado, olhou para a cama. Não via ninguém. Recordou-se dos bons momentos que passou com ela.
Sempre a mesma rotina. Saía de casa, comprava o Jornal na banca do quarteirão vizinho, rumava ao seu trabalho sempre com o mesmo passo. Um trabalho muito simples. Era dono de um boteco, não muito longe de sua casa. O boteco fechava sempre na mesma hora: cinco da manhã e reabria cinco da tarde. Chegava em sua sombria casa, conferia se sua pílula estava em seu bolso. Alívio. Tirava sua roupa e deitava-se para aproveitar os últimos raios da noite.
Na noite seguinte, quatro e meia da manhã, sem cliente e preparando-se para fechar seu bar, lembrara do dia cheio, em que conhecera uma mulher atraente e sensual, que acreditara ter gostado dele. A jovem moça prometera voltar em seu humilde boteco. Ela chegara. Mas agora não era a mesma moça bonita que encontrara horas atrás. Era uma velha corcunda, que não aparentava ser muito gentil. Carregava um saco de algodão consigo. A velha o procurou pelo nome. Era ele:
- O senhor se lembra de mim?
- Claro, a senhora não mudou nada.
- Já eu não posso falar o mesmo de você. Eu falei para você guardá-la.
- Mas a pílula está comigo.
Ele levou suas mãos ao bolso e nada encontrou. Entrou em pânico.
Neste exato momento, essa mesma pílula está em sua casa, sobre a cômoda de seu quarto do mesmo lado em que sua esposa dorme. Vá e não largue-a nunca mais.
Ele fechou o bar rapidamente e correu para sua casa em busca da pílula, enquanto ouvia a velha gargalhar.Uma gargalhada que já ouvira anteriormente. No caminho, ficou imaginando o momento em que ele tinha recebido a pílula. Lembrou-se que era um jovem que gostava de desafios e por este motivo aceitou mantê-la em sua vida.
Chegou em casa. Dirigiu-se diretamente à cômoda à procura da pílula. Revirou a gaveta. Encontrou a pílula no fundo, dentro de sua cartela.
Olhou-a cautelosamente. Por que não? Será que era esse o momento certo?
Finalmente encontrara sua mulher. Deitada ao seu lado. Não se movia e só sentia a presença do primeiro impacto de terra no centro de seu peito. De uma velha que agora gargalhava.

Matheus
Guilherme
Gabriel

8ª B.

Um buraquinho no chão

Final das férias de verão. Noite escura. Trabalhadores procuravam incansavelmente um corpo desaparecido no desabamento da obra de um novo metrô. Já se passavam horas de procura. Apenas pedaços inúteis de carros eram encontrados. Família e amigos já estavam desesperados.
Pensaram que não encontrariam mais nada. Havia um operário que não era visto há horas. Estava esquecido no fundo do buraco. Encontrou uns papéis sujos e desgastados embaixo de uma pedra.
Não sabiam o que eram os papéis. Mesmo assim, levaram-nos para um cartório a fim de serem investigados. Depois de horas limpando e analisando, os especialistas descobriram que eram os documentos do corpo e que seu nome era Francisco Sabino Torres.
Resolveram dobrar o número de pessoas e máquinas na procura. Estavam todos nervosos e impacientes. Não se conformavam de não ter achado o corpo ainda. Chegaram a pensar que com o desabamento, o corpo tivesse ficado em pedaços.
A mãe de Francisco estava chorando na beira do buraco. Foi cutucada nas costas, de repente uma voz bastante conhecida lhe perguntou:
-O que eles estão procurando?
A mulher se virou. Ela reconheceu seu filho. Meio sujo, mas era ele. A mãe ficou nervosa e perguntou por que ele não tinha avisado que estava bem, deixando todos preocupados. Ele respondeu que não fazia idéia de que as pessoas pensariam que estava morto. Não sabia que um buraquinho no chão ia causar tanto tumulto e preocupação.
Francisco tinha ido a uma lanchonete comer e beber alguma coisa, descansar um pouco e ligar para o seguro vir resgatar seu carro. Descansava numa cama no fundo de um boteco. Acabou dormindo. Sonhou que um rato mutante estava falando com ele. E avisava que algo de muito ruim iria acontecer se as pessoas não parassem de cavar perto de sua moradia. Acordou dando risada.
Detetives investigavam curiosos o motivo do desabamento do túnel. Mandaram cavar mais fundo. Analisaram pedaços de terra. Investigaram cada grão de terra. Encontraram em uma grande profundidade, paredes de ferro impossíveis de serem penetradas.
Continuaram tentando. Utilizaram vários tipos de explosivos mais fortes. Contrataram uma equipe especializada. Horas e horas de tentativas inúteis.
Abriram. Encontraram uma casinha muito bonitinha. Sofás, cama, televisão, vários tipos de móveis, utensílios domésticos, muito bem pintada e decorada. Começaram a investigar.
Estavam tomando o maior cuidado para não haver mais desabamentos. Usavam luzes de lanternas. Começaram a ouvir barulhos estranhos. Pareciam com os de chaves se mexendo em uma porta. Pararam. Uma ratazana entrou em casa com suas duas filhinhas que acabaram de voltar do colégio e um carrinho de compras de supermercado. A rata pensou ser um assalto e entrou em pânico. Colocou todos para fora dali aos gritos.
Ele acordou. Olhou para o lado e viu sua esposa ratazana que ainda estava dormindo.
- Ufa! Todo aquele desespero não passava de um sonho. – Disse o papai rato.

Marcela e Julia - 8ªA

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Abismo paulistano

Segunda – feira na maior cidade do país. Clima seco, temperatura muito quente. João Carlos, chamado pelos seus amigos de Juca, conseguiu o emprego tão desejado.
Todos os dias sua rotina se repetia: despertador... acordava às 5:30 da manhã: banho, olhada no jornal, tomar seu pingado com pão amanhecido e manteiga barata. Já era hora de pegar o ônibus. As mesmas pessoas, o mesmo motorista, o mesmo cobrador... as mesmas situações cotidianas.
Chegou ao trabalho, bateu o ponto, e, logo em seguida, o sinal soou, era hora de descer.
Os pingos de água pingavam do teto do subterrâneo. Era necessário apressar a obra. Em breve, algo muito rápido teria que passar por ali. O segundo sinal soou. Hora da furadeira gigante trabalhar. Um ruído estarrecedor e distorcido ecoou pelo túnel. O motor havia sido ligado.
O terceiro sinal tocou. Hora do almoço. Os trabalhadores saíram um atrás do outro. A Marmita do Zé era o destino. A comida caseira e muito boa destruía e saciava a fome incontrolável dos operários.
O quarto sinal soou. Hora de retornar ao trabalho. Os trabalhadores voltaram ao subterrâneo. Mal podiam esperar o quinto sinal tocar e ir para casa. Depois de mais 3 horas de trabalho... o quinto sinal soara. Era finalmente a hora de subir. Voltar para casa, descansar para outro dia de trabalho.
Os trabalhadores saíram, mas um ficou para trás. Juca voltou para pegar um equipamento que havia esquecido. Parecia o sexto sinal, Juca logo notou que algo estava errado. Por um momento, tudo a sua volta começou a tremer... e quando percebeu, o chão sob seus pés cedeu levando tudo que o rodeava, inclusive ele mesmo.
O desespero tomou conta. Gritos se espalharam no ar. Juca se encontrava perdido no seu subconsciente, num mundo estranho e desconhecido. Para sua surpresa, havia um homem lá. Um homem velho, barbudo. Juca não perdeu tempo e, assustado, gaguejou.
- Quem é você? O que estou fazendo aqui?
O velho logo indagou:
- Você não me reconhece, João Carlos?
- Não... calma aí... você não pode ser ele, pode? Você é o meu pai!?
- Faz muito tempo, não é meu filho?
- Mas pai, o que eu estou fazendo aqui?
- Filho, aqui é o céu. Você sofreu um acidente na obra do metrô em São Paulo.
Enquanto isso, as autoridades procuravam pelo corpo de João Carlos há mais de 5 dias...
- Eu quero voltar, pai!!
- Filho, sua missão na terra já acabou.
- Mas eu quero fazer mais!
Os cachorros farejadores começaram a latir. Um corpo foi achado. Os bombeiros começaram a cavar. Juca, deitado, tossia. Estava vivo...

Luiz, Gabriel e Felipe - 8ªB.

Belzebu

Dia de treino.
Avenida Paulista vazia. Céu ensolarado no verão de janeiro de 2004, já estava no fim do treino, minha casa ficava na próxima travessa. O velocímetro marcava 30 km/h, de repente um louco na contramão. Bati de frente com um carro possante de última geração...importado.
Acordei na casa da vovó. Dei a volta na casa para procurá-la. Na cozinha, uma torta de limão com pedaços de laranja sobre a mesa. Não resisti. Peguei a maior faca que tinha e cortei um enorme pedaço. Um grito veio do sótão escuro e sombrio. Peguei meu prato com torta e subi. Subi e subi. A escada não acabava. Havia ratos, restos de comida, teias de aranha e uma janela quebrada. Não enxergava o fim da escada. Parecia que quanto mais eu andava mais longe ficava.
Abrindo a porta, dei de cara com um delegado de polícia. Dizia que eu tinha matado um homem. Não sabia de nada. Acabei condenado a ficar 50 anos na prisão.
Depois do julgamento, o delegado me levou à cadeia. À medida que eu me aproximava, ouvia barulhos estranhos, de animais enjaulados e famintos. Podiam-se ouvir os rosnados e os pingos de baba . Estava na jaula de um tigre.
Tinha um olhar maligno e feroz. Queria me comer. Como a jaula era grande, conseguia correr. Quando ele me abocanhou, apareci em um jardim florido. Não entendia nada. Nada fazia sentido. Olhava para a esquerda, orquídeas. A frente rosas e a direita girassóis. Lindo lugar. Me deitei e olhei para o céu. Nuvens me envolviam como um aconchegante cobertor de lã.
Repentinamente, começou a trovejar e chover como se estivesse no inferno. Estava quente, muito quente. A chuva ácida de fogo corroia o meu corpo. Abri os olhos e dei de cara com uma criatura. Vermelha, com chifres, olhar maligno, rabo em forma de uma flecha coberta de sangue. Ele olhou para mim e disse:
- Como ousa entrar em meu domínio?!?
- Não sei.
- Quem é você?
- Não sei.
- Qual o motivo de estar em minha casa?
- Não tenho a mínima idéia, mano.
- Como ousa debochar de meu nome, mero humano mortal!
- Eu não debochei, mano.
Ele ficou confuso e eu também. Agora tinha me dado conta que não lembrava o meu nome, nem onde morava, nem nada.
Decidi ir ao médico, cujo apelido era “O Curandeiro”. Morava na tribo dos Guaranis, no interior de São Paulo. Índio. Me deu um chá de ervas com um pouco de urina de rato. Disse que iria me sentir mal. Olhei para minhas mãos e elas não estavam mais lá. Desapareci como o pó sugado pelo aspirador.
Bebia em um bar em NY. Vi vovó jogando pôquer com alguns caubóis, papai deitado no chão com uma adaga estocada em seu coração. Vampiro. Minha “namorada” beijava uma amiga de infância e meu irmão comia restos de pessoas mortas em um pote de cachorro com o nome Rex estampado na frente.
Tudo parecia girar e girar. Parecia que estava em um buraco negro. Não conseguia enxergar nada. Achei que fosse morrer. Minha cabeça latejava, minhas pernas tremiam e meus braços chacoalhavam, já que não tinha minhas mãos. Já via a luz se aproximando. O fim estava próximo. Minha hora tinha chegado...
Ouvia buzinas, chiados e conversas. Estava novamente na Avenida Paulista. Levantei-me e olhei para frente. Um ônibus descontrolado arrancara minha cabeça.

Felipe, Lucas e Daniel

Uma Questão de Sorte

-Bom dia, Doutor Fontes!
-Bom dia Geraldo!Como vai a família?
-Bem, muito bem!
-Mega Sena acumulou de novo, hein?!
-Eu fiquei sabendo, mas eu não sou muito de jogo de azar.
-Vire essa boca pra lá, Doutor!Esse é sim um jogo de sorte, de muita sorte!
-Bom, o papo está ótimo, mas terei que ir senão me atraso. Até breve, Geraldo.
-Fui.
Assim começou o dia para Fontes. Um médico que trabalhava numa clínica a três quadras de sua casa. Era uma segunda-feira do ano de 1997, tempo nublado com chuviscos temporários.
Ao chegar à clínica, sua secretaria deu-lhe um café bem quente e colocou seu casaco no armário. Uma clínica até que bem jeitosa, com cadeiras confortáveis, recepcionistas bem humoradas e simpáticas, e aquele velho café paulistano de que todos gostam.
Depois das duas da tarde, todas as consultas e emergências foram atendidas. Coisa rara de acontecer. Foi almoçar num restaurante fuleiro de esquina. Enquanto almoçava seu glorioso filé, viu uma lotérica com o nome “Jogo da sorte”.De repente, as palavras de Geraldo faziam sentido em sua cabeça. Como estava com tempo e o prêmio máximo era muito alto, resolveu arriscar ou, como dizia Geraldo, tentar a sorte.
Os números apostados foram os mais simples possíveis, dia de seu aniversário, da esposa, aniversário de casamento, data do nascimento da filha, entre outros.
Os números 22-14-03-45-11-10 ficaram em sua cabeça como se fossem a coisa mais importante naquele tempo. O pior é o fato de nunca ter jogado ou apostado. Dizia ele que isso era contra sua moral, contra seus princípios.
Dia 14 de Agosto, dia do sorteio: um dos momentos de mais nervosismo já sentido por ele.
Suava frio, jaqueta toda molhada, esperando aqueles números mágicos que iriam fazer sua vida muito melhor.Nem precisa ler o papel, já sabia os números de cor, não por serem datas importantes, mas pois eram os números do tão glorioso bilhete.
Dado o resultado, Fontes solta um grito literalmente vencedor. Ele bota sua mão no bolso com tanta voracidade que parecia ter rasgado o bilhete. Mas não, não rasgou o bilhete, e sim seu bolso. Ele procurou aflito o bilhete em todos os bolsos de sua calça e de sua jaqueta. Nada. Só um pedaço de papel com o nome de seu paciente e do horário da consulta. Pensou que teria perdido, mas não, só poderia estar casa, dizia ele.
Chegando a sua casa, ansioso, bateu o carro no pilar da garagem, e mesmo assim, não se preocupou com isso. Apertou o botão do elevador. Percebeu que o maldito estava no 22º andar, e como morava no 9º andar, foi de escada. Ele não subia os degraus, e sim saltava-os de quatro em quatro. Chegou à porta de sua casa e procurou sua chave. Lembrou-se de que as havia deixado em cima de sua mesa no consultório. Com um tremendo azar, sua mulher tinha ido ao supermercado e deixara um bilhete próximo à maçaneta, dizendo:
“Querido, fui comprar o peixe para o jantar. Volto às 5:00. Beijinhos. ”
Fontes ficou extremamente irritado com a situação. Subitamente, teve uma idéia genial. Iria pedir ao porteiro a chave reserva que deixara para emergências. Desceu pulando os lances de escada correndo até a portaria.
- Dr.Fontes, como vai? Chegou cedo hoje, hein?
- Cala boca, Geraldo, e me dê a maldita da minha chave reserva, vá!
Geraldo procurou rapidamente a chave em suas gavetas desarrumadas, até que achou-a e entregou ao doutor. Ele apanhou o bilhete que estava no sofá e saiu correndo à lotérica, dessa vez voando, pois seu carro estava destruído na garagem.
Chegando lá, deu o bilhete à moça e percebeu que marcara os números errados!! Errara o aniversário da esposa, como sempre. Entrou em desespero, teve um ataque cardíaco e permanece na UTI até hoje.

Vitor e André - 8ªA.

Contos

Veja os contos realizados por alunos da 8ª série do Ensino Fundamental, durante as aulas de literatura.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Apenas um continho


Um homem . Sem jeito. Sem graça. Monótono. Trabalhava. Ia para casa e voltava. Tomava banho, jantava e dormia; depois ia trabalhar. Estava esgotado. De segunda a sábado trabalhava. De domingo, ia à igreja.
Era sozinho... sem mãe, sem pai e sem amigos. Não tinha tempo para conversa.
Todo o dia que chegava do trabalho passava o hall de entrada para ir ao seu apartamento. Seu Juvenal, educadamente, cumprimentava todo o dia. Homem nunca respondia.
Um dia, homem voltou para casa e passou pelo hall. Mas seu Juvenal não estava lá para cumprimentá-lo. Homem foi ficando doente, doente. E morreu.
Na verdade, homem gostava que seu Juvenal o cumprimentasse. Morreu de tristeza.

Beatriz 8ªC.