quarta-feira, 11 de abril de 2007

Belzebu

Dia de treino.
Avenida Paulista vazia. Céu ensolarado no verão de janeiro de 2004, já estava no fim do treino, minha casa ficava na próxima travessa. O velocímetro marcava 30 km/h, de repente um louco na contramão. Bati de frente com um carro possante de última geração...importado.
Acordei na casa da vovó. Dei a volta na casa para procurá-la. Na cozinha, uma torta de limão com pedaços de laranja sobre a mesa. Não resisti. Peguei a maior faca que tinha e cortei um enorme pedaço. Um grito veio do sótão escuro e sombrio. Peguei meu prato com torta e subi. Subi e subi. A escada não acabava. Havia ratos, restos de comida, teias de aranha e uma janela quebrada. Não enxergava o fim da escada. Parecia que quanto mais eu andava mais longe ficava.
Abrindo a porta, dei de cara com um delegado de polícia. Dizia que eu tinha matado um homem. Não sabia de nada. Acabei condenado a ficar 50 anos na prisão.
Depois do julgamento, o delegado me levou à cadeia. À medida que eu me aproximava, ouvia barulhos estranhos, de animais enjaulados e famintos. Podiam-se ouvir os rosnados e os pingos de baba . Estava na jaula de um tigre.
Tinha um olhar maligno e feroz. Queria me comer. Como a jaula era grande, conseguia correr. Quando ele me abocanhou, apareci em um jardim florido. Não entendia nada. Nada fazia sentido. Olhava para a esquerda, orquídeas. A frente rosas e a direita girassóis. Lindo lugar. Me deitei e olhei para o céu. Nuvens me envolviam como um aconchegante cobertor de lã.
Repentinamente, começou a trovejar e chover como se estivesse no inferno. Estava quente, muito quente. A chuva ácida de fogo corroia o meu corpo. Abri os olhos e dei de cara com uma criatura. Vermelha, com chifres, olhar maligno, rabo em forma de uma flecha coberta de sangue. Ele olhou para mim e disse:
- Como ousa entrar em meu domínio?!?
- Não sei.
- Quem é você?
- Não sei.
- Qual o motivo de estar em minha casa?
- Não tenho a mínima idéia, mano.
- Como ousa debochar de meu nome, mero humano mortal!
- Eu não debochei, mano.
Ele ficou confuso e eu também. Agora tinha me dado conta que não lembrava o meu nome, nem onde morava, nem nada.
Decidi ir ao médico, cujo apelido era “O Curandeiro”. Morava na tribo dos Guaranis, no interior de São Paulo. Índio. Me deu um chá de ervas com um pouco de urina de rato. Disse que iria me sentir mal. Olhei para minhas mãos e elas não estavam mais lá. Desapareci como o pó sugado pelo aspirador.
Bebia em um bar em NY. Vi vovó jogando pôquer com alguns caubóis, papai deitado no chão com uma adaga estocada em seu coração. Vampiro. Minha “namorada” beijava uma amiga de infância e meu irmão comia restos de pessoas mortas em um pote de cachorro com o nome Rex estampado na frente.
Tudo parecia girar e girar. Parecia que estava em um buraco negro. Não conseguia enxergar nada. Achei que fosse morrer. Minha cabeça latejava, minhas pernas tremiam e meus braços chacoalhavam, já que não tinha minhas mãos. Já via a luz se aproximando. O fim estava próximo. Minha hora tinha chegado...
Ouvia buzinas, chiados e conversas. Estava novamente na Avenida Paulista. Levantei-me e olhei para frente. Um ônibus descontrolado arrancara minha cabeça.

Felipe, Lucas e Daniel

4 comentários:

Cavaleiro Jedi disse...

é tah bom....
mas ta meio sonolento...

Anônimo disse...

sim, o conto deveria ser mais curto , porem ele é bom ... parabens para quem escreveu

Anônimo disse...

Nossa... que trágicoo!!

Mais está bem escrito...

Beijos, Teté e Flávia

Unknown disse...

eh mais ou menus